quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Fumar no estrangeiro

Hoje escrevo principalmente para os fumadores, aqueles seres incompreendidos em qualquer parte do mundo, incompreendidos pela maioria dos seres que não consomem nicotina e que negam veemente que fumar dê algum prazer.

Eu, como muitos de vocês sabem, raramente fumo mais do que dois cigarros por dia por isso para mim a logística de preparar uma viagem sendo fumadora não me causa nenhum transtorno de maior. De todas as formas para além de tentar sempre fazer a mala de uma forma inteligente tenho sempre em conta os dias que me vou ausentar do país e, se for para algum daqueles sítios onde o tabaco é pornograficamente caro, tento precaver-me e levar mais um macinho de Português Vermelho. Também não sou daquelas que compra volumes convulsivamente nos aeroportos porque o meu vício quase que não justifica o facto de me preocupar com o transporte dos volumes de um lado para o outro, a poupança de uns euritos por maço não justifica a má qualidade do tabaco que se compra nas Caraíbas, por exemplo, isto para quem não fuma é chinês mas acreditem que um Marlboro na Europa arranha a garganta bem menos que em algum outro país tropical daqueles que já tive o prazer de visitar.

Ora bem, mas sem mais introduções ao tema (e sem me estender muito senão a Pipa Silva acha que eu sou uma seca) quero-vos dizer que aqui, na Malásia, os senhores não deve ter imposto sobre o tabaco e isto por várias razões, a primeira e que salta logo à vista é que o maço que comprei ontem não tinha selo e a outra, também bastante óbvia mas, mais do que óbvia muito agradável para a carteira, é que os 20 cigarritos da Marlboro me custaram 11 chiribis (ou seja 11 ringints = 2 euros e poucos cêntimos). Que maravilha dirão os meus amigos fumadores (que são muitos) e o melhor é que o belo do cigarro não sabia a chumbo. Mas nem tudo são rosas para os fumadores na Malásia.

Quando o maço veio para a mesa estávamos todos a apreciar mais uma das grandes vistas da cidade desde o Luna Bar, no 33º andar (por coincidência o mesmo andar do Sky Bar) e fiquei agoniada no minuto em que vi o maço: um pé com gangrena de 3º grau (se é que se pode dizer assim) e uma frase inteligível imagino que a dizer “fumar provoca gangrenas de terceiro grau absolutamente incuráveis como esta que aqui se pode ver”. Partilhei a imagem com os meus companheiros de viagem e a minha irmã apressou-se a rasgar a Time Out e a forrar a gangrena com a máxima rapidez enquanto eu reflectia “será por estes motivos que as pessoas vão deixar de fumar… não me parece”.

Enfim, ultrapassado o trauma inicial lá fumei mais um cigarro sentada a beber o meu daikiri de morango, digam lá amigos que não sabe bem fumar sentadinhos num bar ou num restaurante no final da refeição?

E aqui acabada a crónica de hoje dizendo-vos apenas que o meu jetlag está totalmente superado e que hoje até me tiveram que acordar para não perder os maravilhosos beans à inglesa do pequeno almoço. Amanhã rumamos para Bali, mais concretamente para Ubud que e uma zona de selva no meio da ilha onde espero não encontrar muitos insectos, muitos menos borboletas. Kuala ainda não terminou mas já fica a saudade da simpatia dos malaios que entre muçulmanos, chineses e malaios de gema fazem desta cidade um verdadeiro melting pot de culturas.

Besos e saudades
Rita


2 comentários: